Célia Freitas e Miguel Gomes são um casal de artesãos. Célia Freitas nasceu em Estremoz no ano de 1966 e Miguel Gomes nasceu em Rio de Moinhos (concelho de Borba) em 1957. Ambos, desde muito cedo, sentiram uma proximidade especial com o artesanato.
Miguel Gomes tinha seu pai, Manuel António Capelins, a fazer artesanato em madeira e cabaça, pelo que desde sempre esteve em contacto com a arte popular. Aliás, segundo nos disse, seu pai para não o deixar de volta de outras distracções de miúdo, fazia com que este trabalhasse na oficina de artesanato.
Quanto a Célia Freitas, esta sempre sentiu o bichinho da arte dentro de si. Mas só depois de casar se iniciou na arte popular, muito por influência de seu marido. Experimentou assim, antes do barro, o artesanato em madeira e cabaça, no qual seu sogro era especialista e reconhecidamente um dos melhores.
No entanto, com o correr dos tempos, este tipo de artesanato começou a cair, não só por falta de quem auxiliasse na oficina, mas também por falta de matéria-prima, fundamentalmente de cabaças, as quais já não havia quem as plantasse. Dadas as condicionantes e dado o interesse que Célia Freitas começou a sentir pelos barros, ambos iniciaram um trajecto que os levou a acabar com a arte pastoril, para se iniciarem e especializarem em bonecos de barro. Através de um processo autodidacta, mas também por intermédio de algumas conversas com o Mestre José Moreira, da observação de como se faziam bonecos e como era todo o processo até à cozedura, ambos aprenderam a arte cerâmica e os seus “segredos”, trabalhando hoje segundo um modelo muito próprio.
